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A volta dos militares

Nas manifestações de rua de 2013 surgiram aqui e ali cartazes pedindo a volta dos militares ao governo do Brasil. Não foi bem aceita. Nas manifestações do último dia 15 de março a tese voltou com mais força. Nas redes sociais há quem defenda abertamente a volta dos militares ao governo do Brasil. A sensação de corrupção desenfreada em todas as instâncias governamentais que contaminou toda a população e de desmando no governo da presidente Dilma Rousseff, na memória de quem viveu a época, os militares possam trazer a estabilidade perdida.

De fato, a percepção no Brasil inteiro de que o governo Dilma Rousseff amarga a carga de abusos do seu partido, não se restringe às classes sociais de melhor poder aquisitivo. A reprovação da gestão por perto de 80% da população indica que não há camadas exclusivas desgostosas. É geral. A aprovação de 12% também revela que os eleitores das classes C e DE também entraram na contramão da aprovação sumária anterior.

Porém, daí a pensar que a presidente e o seu partido possam ser substituídos pelos militares é muito primário. Primeiro ela pode sair por renúncia, impeachment ou morte. Nesse caso seria substituída constitucionalmente pelo vice-presidente da República. Num eventual impedimento desse , respeita-se a sequência constitucional.

A volta dos militares seria num eventual golpe de estado. Não existe clima nenhum pra isso. Existe um governo fraco e ruim. Bom lembrar como os militares chegaram ao poder em 1964, através de um golpe de estado. Eles começaram a se preparar pra ter espaço político em 1922, com o movimento Tenentista e a tentativa de tomada do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Apoiaram a Revolução de 1930 e a derrubada do estado Novo em 1945. Indicaram o sucessor de Getúlio Vargas, em 1946, o marechal cuiabano Eurico Gaspar Dutra. Conspiraram para a morte de Getúlio Vargas em 1954 e não pararam até 1964. A história brasileira do período é rica de episódios militares influenciando a condução da política.

Hoje, o ambiente constitucional no Brasil está intacto, apesar das paranóias do bolivarianismo petista de Lula, que sonha com uma ditadura socialista na América Latina. O sonho morre agora junto com a popularidade do seu partido e da gestão Dilma que será fatalmente emparedada pelos demais partidos e sem poder ao longo dos próximos meses.

Os militares estão muito atentos à ordem interna no país. Informam-se e se preparam pra pôr ordem nas ruas se for necessário. Mas nunca pensando em governar do novo. Na caserna as lembranças são muito ruins. Pode ser que numa coalizão de forças futuras eles possam ter voz. Nada mais do que isso.

Por: Onofre Ribeiro