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Polícia

Justiça manda soltar bandida ostentação que recebia Bolsa Família

Ela ostentava bens de luxo e viagens ao Rio de Janeiro

O juiz da Sétima Vara Criminal, Marcos Faleiros, determinou a soltura de seis membros de uma quadrilha especializada em assalto a bancos, presa durante a operação “Luxus”, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), em maio de 2017. Uma das integrantes do bando, Lúbia Camilla Pinheiro Gorgete, também foi beneficiada com a decisão do magistrado, proferida na última terça-feira (27).

Ela ostentava bens de luxo e viagens ao Rio de Janeiro nas redes sociais, assim como outros elementos do grupo. Porém, com o diferencial de ser beneficiária do Bolsa Família.

Além de Lúbia, Thassiana Cristina de Oliveira, Jurandir Benedito da Silva, Diego dos Santos, Kaio da Silva Nunes Teixeira, Hian Vitor Oliveira Cavalcanti, todos integrantes da suposta quadrilha, foram beneficiados com a medida. Porém, o juiz Marcos Faleiros determinou a utilização de tornozeleira eletrônica. Em sua decisão, Marcos Faleiros alegou que tratam-se de réus primários que possuem residência fixa.

“Com relação aos acusados Thassiana Cristina de Oliveira, Jurandir Benedito da Silva, Diego dos Santos, Kaio da Silva Nunes Teixeira, Hian Vitor Oliveira Cavalcanti e Lubia Camila Pinheiro Gorgete, embora existam fortes indícios da participação na organização criminosa, revendo decisão anterior, entendo que suas prisões devem ser revogadas, pois ficou demonstrado que os acusados são primários, possuem residência fixa no distrito da culpa e há possibilidade de constituir emprego lícito”, diz trecho da decisão.

Além disso, destacou que a instrução processual já foi encerrada e que as provas indicam que a participação deles nos crimes foi menor em relação aos outros integrantes do bando.

Porém, outros nove acusados continuarão presos. O magistrado justificou a decisão dizendo que eles tinham “maior envolvimento” na organização criminosa.

“Conforme evidenciado nas declarações das testemunhas ouvidas em juízo e dos elementos informativos constantes nos autos e provas emprestadas (interceptação telefônica), sem prejuízo da análise do mérito e participações dos demais acusados, a presença de maior envolvimento na organização criminosa são dos acusados Gilberto Silva Brasil, Marcus Vinicius Fraga Soares, Cleyton Cesar Ferreira de Arruda, Robson Antônio da Silva Passos, Junior Alves Vieria, Augusto César Ribeiro Macaúbas, Julyender Batista Borges, Elvis Elismar de Arruda Figueiredi, Dainey Aparecido Da Costa”, sentenciou o magistrado.

O julgamento da ação contra os membros da quadrilha ainda não chegou a um veredicto, ou seja, mesmo aqueles que foram beneficiados com saída da prisão ainda poderão voltar para a cadeia.

QUADRILHA OSTENTAÇÃO

No dia 4 de maio de 2017, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Judiciária Civil (PJC), deflagrou a operação “Luxus”, com o objetivo de desarticular uma quadrilha responsável pelo assalto de pelo menos 10 agências bancárias de Mato Grosso. Ao todo, 26 mandados de prisão, e outros 14 de busca e apreensão, foram expedidos com o objetivo de prender 17 pessoas responsáveis pelo roubo de pelo menos R$ 5 milhões e que ostentavam nas redes sociais bens de luxo adquiridos com o dinheiro.

De acordo com informações da PJC, cada integrante do bando exercia um papel dentro da organização criminosa. No topo da pirâmide esta Marcos Vinicius Fraga Soares, de 32 anos, conhecido como “Pato”. Apontado como chefe, ele já responde por crimes de estelionato, ameaças, calúnia, lesão corporal, desobediência e perturbação da tranquilidade.

Também no primeiro escalão está Gilberto Silva Brasil, de 35 anos, que possui diversas passagens policiais (estelionato, ameaças, lesão corporal e injúria) e responde a processos como membro de outros grupos criminosos. Ele se autodenomina como “showman” nas redes sociais, tendo postado fotos com carros de luxos e em praias do Rio de Janeiro (RJ).

Além deles, Augusto Cesar Ribeiro Macaubas (Gordão), Jurandir Benedito da Silva (Jura), Diego Silva dos Santos, Hian Vitor Oliveira Cavalcante, Kaio da Silva Nunes Teixeira, Robson Antonio da Silva Passos, Elvis Elismar de Arruda Figueiredo, Julyender Batista Borges (Juju ou Gera), Emanuel da Silva Souza, Lubia Camilla Pinheiro Gorgete, Marcelo Alberto dos Santos e Dainey Aparecido da Costa (Playboy ou Dar), Cleyton César Ferreira de Arruda, Thassina Cristina de Oliveira e Junior Alves Vieira seriam os outros integrantes do bando.

No roteiro das viagens, está o Rio de Janeiro (RJ), local preferido dos integrantes da organização criminosa. Lá, os assaltantes ostentavam passeios de helicópteros por pontos turísticos da cidade e no Carnaval do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

O sobrevoo com visão panorâmica do Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, os dois maiores cartões postais da cidade, e praias paradisíacas, por exemplo, custa em média R$ 1,2 mil por hora. A maior parte dos integrantes nasceu e foi criada na região do CPA, em Cuiabá.

MODUS OPERANDI

Para entrar nos bancos da Capital e do interior, os bandidos faziam o levantamento de pontos vulneráveis da agência, escolhiam dias e horários com pouco movimento de pessoas nas ruas, como os finais de semana e feriados. Somente em dois dos assaltos, a quadrilha chegou a conseguir R$ 2 milhões.

Eles promoviam a quebra da parede e o desligamento do alarme com uso de bloqueadores de sinal, desligavam câmeras e, assim, trabalhavam tranquilamente na abertura de caixas eletrônicos e dos cofres instalados dentro das agências, de onde retiravam grandes somas de valores.

Além da destruição das instalações físicas e grande prejuízo financeiro às instituições financeiras, a população também foi prejudicada com o fechamento das agências bancárias, que permaneceram com as portas trancadas por dias até o reparo dos danos prediais e o retorno dos serviços bancários aos moradores. Foi o caso da cidade de Poconé, num dos furtos registrados ao Banco do Brasil, ocorrido em 05 de fevereiro de 2017.

Por: Folha Max