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Especial | VARIEDADES

24 de Julho de 2019 ás 08:15:23

Ele raspou meu cabelo à força e postou foto: Não vai chorar, vagabunda?

Ela era menor de idade, estava grávida e teve os cabelos raspados pelo agressor

A confeiteira Natália Mauadie, 24, do Rio de Janeiro, publicou uma imagem que se espalhou pelo Twitter, com mais de 17 mil compartilhamentos nas últimas semanas: um antes e depois do momento em que foi agredida pelo ex-namorado, em 2013, e de hoje.

Ela era menor de idade, estava grávida e teve os cabelos raspados pelo agressor, que publicou as imagens no Facebook.
Seguir em frente não é fácil, especialmente em uma época em que ainda não se falava sobre violência doméstica como hoje.

Atualmente, ela recebe dezenas de mensagens de mulheres que se inspiram na história dela para entender o que estão passando e também buscar saídas de relacionamentos abusivos.

Leia seu depoimento para Universa: "Nós estávamos juntos há dois anos: ele tinha 24 anos e eu 17. Quando descobri que estava grávida, terminamos. Eu não queria aceitar o filho porque, nessa época, já apanhava muito. Voltamos quando tinha cinco meses de gestação.

No dia que ele raspou minha cabeça, a briga durou mais ou menos o dia todo. Eu acordei primeiro e estava no computador, mexendo no Facebook. Uns 10 minutos depois, ele acordou. Veio por trás de mim, perguntando o que eu estava fazendo. 'O que você está escondendo?', dizia.

Não havia ficado com ninguém. Mas tinha ali conversas com amigas minhas e eu sabia que, se ele visse, ia ser pior para mim. Ele cismou em querer ler minhas conversas e dizia que, se visse alguma notificação suspeita, eu 'iria ver' o que aconteceria. Começou então a me enforcar para tentar ver as mensagens.

Eu estava com um 'barrigão' já. Deixei ele ler o que quisesse na rede social. Só assim me soltou e se sentou em frente ao computador. Nesse momento, peguei a minha bicicleta e fugi. Me escondi em uma lan house e só então percebi que estava perdendo líquido. Fiquei com medo de entrar em trabalho de parto.

Nervosa, eu liguei para a minha irmã, mas não contei a ela exatamente o que estava acontecendo. Só que a minha irmã ligou justamente para o meu namorado. Não deu cinco minutos, ele apareceu de carro no lugar onde eu estava. E me arrastou dali pelos cabelos.

Como eu estava perdendo líquido, ele me levou para um hospital. Em nenhum momento disse o que faria comigo -- e já tinha planejado tudo. Quando estávamos voltando, disse: 'você não sabe o que te aguarda' e me deu um chute. Comecei a chorar.

O carro passou na frente da casa da minha mãe, que descobri depois que estava me ligando, preocupada. Mas ele tirou a bateria do meu celular para que eu não atendesse ninguém.

Quando cheguei na casa dele, fui levada para o quarto. O espelho havia sido tirado da sala e colocado no quarto. Ao lado, tinha uma máquina de cortar cabelo. Ele fez com que eu sentasse na cama e perguntou calmamente se o filho era dele. Eu disse a verdade: meu filho é dele. Então me deu duas escolhas: raspar meus cabelos ou 'ver o que iria fazer'. Eu sabia que, se ele me desse o primeiro tapa, só pararia quando eu estivesse morta.

Quando ele começou a raspar meu cabelo, me perguntava: 'não vai chorar, vagabunda?

Ele estava revoltado porque eu não estava chorando. E eu não chorei mesmo. Na verdade, estava com tanto medo de apanhar e perder meu filho, que não me importei com aquela violência. Quando saí do quarto, sem cabelo, a família dele viu e começou a chorar. Mas ele disse que era para ninguém se intrometer. Quando cheguei ao quintal, ele disse que iria tirar uma foto para postar no Facebook. E foi o que fez.

Eu queria ir para minha casa, mas ele me pegou pelo braço e me fez andar pelo bairro todo. Como tinha saído sangue, acho que as pessoas da vizinhança pensaram que ele tinha me batido. Andei por três ruas sem ninguém falar nada, até que apareceram três meninos para questioná-lo. Ele saiu correndo, um dos meninos me colocou em uma moto e me levou para casa.

Quando cheguei em casa, ele já tinha publicado as fotos no Facebook.

No post, escreveu que era isso que acontecia com mulher que mexe com homem de verdade. Nos comentários, tinha muita gente apoiando. Eu tinha um cabelo bem comprido e me falaram que ele ainda ficou na rua rodando os fios na mão e dizendo que estava à venda.

Minha irmã me levou para a delegacia da mulher e, quando cheguei, a imprensa estava lá. Passei mal de novo de tanto nervoso e voltei ao hospital. Lá estavam as mesmas médicas que me atenderam pela manhã. Elas choraram muito e me perguntaram porque eu não tinha falado nada. Depois voltei para dar meu depoimento. Ele fugiu e começou a me ligar.

O meu celular foi grampeado pelos policiais. Nas ligações, me culpava dizendo 'olha o que você fez com a minha vida'. No quinto dia como foragido, se entregou. Estava muito magro e acabado. Vi no "Cidade Alerta". Foi preso e um mês depois meu filho nasceu.

Por: Uol