rei do pano
Especial | VARIEDADES

04 de Setembro de 2019 ás 07:41:08

Instituto Raoni emite nota sobre as calúnias e difamações contra o Cacique

Veja abaixo a nota na íntegra

O Cacique Raoni vem sendo alvo de calúnia e difamação, conforme diz nota do Instituto Raoni, que representa o cacique e os povos Mebengokrê. 

Veja abaixo a nota na íntegra;

Cacique Raoni.

Entenda por que ele é o nosso líder.

Calúnias e difamações estão sendo propagadas contra nosso líder, pelo simples fato dele lutar pela preservação da floresta da amazônica.

Nós povos Mebengokrê, representados pelo Instituto Raoni, repudiamos todo e qualquer ato, ideia ou teoria sobre esse ódio, discriminação ou violência contra o Cacique Raoni.

Ele sempre foi e sempre será nossa referência nas questões relacionadas aos direitos indígenas, direitos ambientais e territoriais. Sua trajetória de vida é marcada pela luta incansável pela proteção ambiental. Desde o contato com os não-indígenas em 1954, quando Cacique Raoni encontrou-se, com os irmãos Villas Boas, aprendeu a falar a língua portuguesa e tomar consciência do mundo não-indígena. Conheceu o Presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek e, em 1964, encontrou-se com o rei Leopoldo III da Bélgica, e, em 1978, foi tema de um documentário indicado ao Oscar. O aumento do interesse dos meios de comunicação brasileiros pela questão ambiental fez dele um porta-voz natural da luta pela preservação da floresta amazônica.

Foi depois do encontro com Sting no Parque Indígena Xingu, em 1987, que o Cacique Raoni alcançou notoriedade internacional. Ao participou de uma conferência em São Paulo da Anistia Internacional, o impacto resultou na fundação da Rainforest Foundation, cuja prioridade era a demarcação dos territórios Kayapó, área até então, gravemente ameaçadas por invasões.

Em 1989, Cacique Raoni conseguiu mobilizar a imprensa mundial para a cobertura do encontro de Altamira contra a construção da barragem Kararaô, hoje Belo Monte. A grande turnê por 17 países, resultou no desbloqueio de fundos internacionais para a demarcação de terras indígenas brasileiras e tomada de consciência do público em geral sobre a necessidade de proteger a floresta amazônica e suas populações nativas.

Em 1993, uma área tradicionalmente ocupada pelos indígenas, situada entre os estados de Mato Grosso e do Pará, foi demarcada, constituindo uma das maiores reservas florestais tropicais protegidas do planeta. Outro resultado concreto dessa primeira campanha internacional de Raoni foi o desbloqueamento, pelo Grupo dos Sete, de fundos para a demarcação das reservas indígenas brasileiras.

Em 2001, o Cacique Raoni juntamente com outros Mebengokrê fundaram o Instituto Raoni, cuja missão é defender os interesses das comunidades indígenas no fortalecimento de suas capacidades para a proteção de seus territórios e recursos naturais, apoiando o desenvolvimento de atividades que promovam o uso sustentável da biodiversidade e diminuam sua vulnerabilidade ao envolvimento com atividades predatórias, proporcionando geração de renda e valorização cultural.

Raoni conquistou o apoio de importantes lideranças como Fraçois Mitterrand, Jacques Chirac, Juan Carlos, Rei da Espanha, Charles, o Príncipe de Gales e o Papa João Paulo II, além dos presidentes franceses Mitterrand, Jacques Chirac e Emmanuel Macron.

Ao declarar guerra contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, ele conquistou novos apoios internacionais como James Cameron, Signourney Weawer e Arnold Schwarzenegger e de muitas personalidades nacionais que participaram de campanha de esclarecimentos sobre o tema. Infelizmente, o projeto Belo Monte foi concretizado e hoje todos vocês podem ver as consequências desastrosas dessa obra.

Novamente, o Cacique Raoni adverte o mundo sobre o desmatamento e queimadas na Amazônia, alertando sobre as ameaças vindas do agronegócio, garimpeiros e madeireiros que exploram a floresta. A agenda incluiu encontros com chefes de Estado da França, Bélgica, Suíça, Luxemburgo, Mônaco e Itália, entre eles o Papa Francisco no Vaticano. A intensão sempre foi buscar o apoio, nacional e internacional, para a defesa, proteção e condições para o fortalecimento sociocultural e territorial do povo indígena.

Cacique Raoni representa um símbolo vivo da luta para proteção da natureza, dos povos indígenas, da luta pela vida e seguindo seus princípios é que, nós povos Mebengokrê da Terra Indígena Capoto/Jarina, NÃO aceitamos atividades ilegais em nossas terras, NÃO aceitamos o garimpo, NÃO aceitamos extração de madeira, NÃO aceitamos o arredamento de terras, NÃO aceitamos toda e qualquer atividade ilícita que destrua o ambiente e principalmente dizemos NÃO a essas manifestações de ódio e violência contra nosso povo, contra nosso líder Cacique Raoni.

Todos nós, indígenas e não indígenas, temos a necessidade de proteger a floresta amazônica, de proteger o planeta, pois por mais distintos que sejam nossos grupos, estamos no mesmo local e ele (Planeta Terra) está pedindo socorro.

Respeitosamente,

Povos Indígenas Mebengokrê/Metuktire,

INSTITUTO RAONI.