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Especial | VARIEDADES

28 de Abril de 2020 ás 08:38:34

Pesquisa científica comprova ganho em produção com calagem em profundidade em área de abertura

Incorporação de calcário em profundidade impulsiona produtividade já na primeira safra de soja em área de abertura

(Foto: Divulgação)

O uso de calcário para correção do solo nas lavouras, com incorporação em profundidade e ainda aproveitando a umidade da terra e o fim das chuvas, projeta efeitos positivos já na primeira safra de soja em áreas de abertura. É o que revela pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Mato Grosso em Marcelândia, Norte de Mato Grosso. Solo corrigido, efeito na colheita: até 11 sacas a mais por hectare. 

Essa é a diferença pra lá de positiva entabulada por pesquisadores na primeira etapa do experimento. A área estudada, após a incorporação de calcário em profundidade, registrou um salto de 57 sacas de soja por hectare, produtividade obtida com o manejo tradicional, para 67 a 68 sacas por hectare com doses suplementares de calcário incorporadas profundamente. Como um suplemento vitamínico no comparativo à saúde humana, a dose certa de calcário permite que plantas tenham ampliada a capacidade de absorver nutrientes presentes no solo, essenciais ao vigor e produção.    

A boa novidade reafirma outras pesquisas consolidadas na literatura agronômica e desponta no momento em que o agronegócio, setor essencial, se mantém na ativa, desafiando os efeitos da pandemia. O compromisso em levar alimento a milhões de pessoas é, assim, reafirmado por agricultores e pecuaristas no Brasil e no mundo. O mesmo vale para os experimentos e pesquisas feitos para o desenvolvimento e melhoramento das práticas de cultivo e plantio, que não param. "A ciência ajuda a impulsionar o mundo e a humanidade. Damos nossa cota de contribuição, inclusive neste momento tão sensível a todos", destaca o Professor Doutor Anderson Lange, responsável técnico pelo experimento em Marcelândia. Paranaense radicado em Sinop, ele tem amplo trabalho desenvolvido e publicado sobre as adequadas doses de calcário customizadas aos solos ácidos mato-grossense. 

Pesquisas desenvolvidas na região Sul do Brasil mostram que a aplicação de calcário na superfície tem efeitos também na camada de solo logo abaixo, a chamada subsuperfície do solo, porém, em baixa magnitude, conforme explica o professor. "Para os produtores que optam pelo sistema de plantio direto, a melhor oportunidade de correção de solo é o momento de implantação. Normalmente, o produtor que abre a área, cultiva no primeiro ano arroz e, posteriormente, corrige o solo para a soja. Assim fazendo, colhe-se o arroz em março/abril, deixa-se o solo em repouso para somente em agosto aplicar o calcário, em dose inadequada e com leve incorporação no solo", alerta o pesquisador. Esta incorporação na época da seca é pouco efetiva e funcional.   

Com base nessa constatação, comum no campo, iniciou-se o experimento em Marcelândia com o olhar científico meticuloso. A área fica a 712 quilômetros de Cuiabá, capital do Estado, é uma das mais novas fronteiras agrícolas de Mato Grosso. Na área selecionada a serviço da pesquisa científica, após a primeira colheita, foram aplicadas de 3 a 12 toneladas de calcário por hectare e o insumo foi incorporado profundamente ao solo argiloso, procedimento feito em abril de 2019, com o uso de máquinas e implementos agrícolas. Conforme explica Lange, o método busca formar o chamado perfil de solo e aproveitar a umidade da terra e as chuvas do mês (que no presente estudo foram de 50 mm na área experimental após a calagem). 

Nessas condições de aplicação, o efeito é mais rápido devido à incorporação de calcário ao solo, o que não aconteceria na aplicação superficial. Tem-se então a elevação do V% (saturação de bases do solo), que passou de insatisfatórios 24% para a calagem tradicional para até 60%, caminhando lado a lado com a produtividade, percentuais comprovados nas análises de solo empreendidas na pesquisa. Com o experimento ainda na primeira safra de avaliação, as expectativas em relação aos próximos resultados são as melhores. A pesquisa desenvolvida pelo engenheiro agrônomo Anderson Lange, aos moldes de experimento pioneiro desenvolvido em Sinop, se estenderá pelos próximos dois ou três anos. "É a ciência a favor do melhor cultivo, aliando ganho, eficiência e cuidado com o solo", destaca o pesquisador.   

Safra recorde - Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra de soja 2019-2020 já confirma crescimento recorde, com 2,7% de aumento se comparada à temporada de cultivo anterior. Além do volume de chuva e o aumento da área plantada, outro fator a influenciar o rendimento da cultura é o cuidado com o solo, decisivo a ganhos em produtividade. 

Por: Assessoria