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Notícias | Nortão

27 de Fevereiro de 2018 ás 13:35:48

DNA confirma troca de bebês em hospital regional

Defensoria Pública de Alta Floresta (803 km ao Norte de Cuiabá) acompanha um caso de troca de bebês que aconteceu na maternidade do Hospital Regional local, dia 20 de maio do ano passado. Os dois bebês estão, atualmente, com 9 meses.

Quem conta esta história delicada é Francielli Monteiro Garcia, 24. Ela levou para casa o filho de Erivânia Danfel e Erivânia, por sua vez, está criando o fillho dela.

Francielli lembra que, quando chegou em casa, com o recém-nascido, observou que na pulseira dele estava escrito "Erivânia". Que nome é esse? - questionou. Na mesma hora supôs que tinha ocorrido a troca e, desesperada, ligou para o hospital, que negou veementemente o erro. "Isso não aconteceu em hipótese nenhuma - me disseram. Alegaram que na correria teriam trocado apenas as pulseiras. Então eu pensei: vou seguir minha vida, criar meu filho", narra. "Mas nunca deixei de ficar em dúvida se ele era realmente meu mesmo".

Em um bairro próximo, Erivânia também tocou a vida. Ela viu na pulseira do filho recém-nascido o nome "Francielli" , mas, por ser de origem humilde, acreditou se tratar da enfermeira que cuidou dela na maternidade. Tirou a pulseira, embolou e jogou no lixo. Mais tarde explicou que no Pará, de onde ela é, no local onde morava, os partos eram feitos por parteira e nem sabia que existia pulseira hospitalar de identificação.

O destino - ou "Deus", como prefere acreditar Francielli - as uniu em um posto de saúde da região. As 2 foram levar os bebês para acompanhamento médico. Na antesala, Erivânia puxou assunto com Francielli.

"Lembra de mim? Ficamos no mesmo quarto no hospital, ela me perguntou. Eu não lembrava direito, mas disse que sim. Nisso, ela virou o bebê que estava no colo dela e disse. Olha como meu bebê está fofo. Eu entrei em estado de choque porque vi meu marido, só que em miniatura. Não disse nada. Só pedi licença e fui para os fundos do posto, fiquei pensando em tudo aquilo, chorei muito e voltei, continuando o papo. Falei da pulseirinha que estava com o nome dela e perguntei. E no seu filho, o que estava escrito na pulseira dele? Ela respondeu: acho que Gracielli, Isabelle. Nisso, eu falei: não seria Francielli? Ela confirmou: sim é este nome! Disse que este nome é meu e foi então que revelei a minha desconfiança".

Depois disso, as 2 fizeram por conta própria exame de DNA. Os laudos chegaram dando negativo para maternidade.

Francielli levou o caso à Defensoria Pública e agora no âmbito do Judiciário será feito o DNA reverso, desta vez para confirmar a maternidade.

Neste meio tempo, as mães já estão interagindo com as crianças. "Não queremos que elas sofram. Assim, quando vier a troca por ordem judicial, já vão estar acostumadas", diz Francielli, que quer criar o próprio filho biológico. "Dói, mas o certo é o certo e eu vou continar amando os 2".

Já Erivânia não quer falar sobre o assunto com a imprensa. Procurou advogado e vai discutir o assunto no Judiciário, porque não estaria segura para fazer a troca.

Os pais também estão convivendo com os 2 meninos.

Depois desta fase, um dos casais pensa em entrar com uma ação indenizatória. "Se vier dinheiro, será para amenizar tudo isso, porque dinheiro nenhum no mundo paga o que fizeram com a gente. Perdi o primeiro cheirinho, a primeira mamada do meu filho. Como indenizar isso?" - pergunta Francielli, chateada com os comentários na cidade de que estariam usando as crianças para se dar bem.

"Não foi culpa minha, nem da Erivânia, nem dos pais e nem muito menos das crianças, a culpa é do hospital", aponta.

Defensor público Túlio Pontes de Almeida diz que o caso será tratado sob sigilo por envolver crianças e que vão encontrar a melhor forma de resolvê-lo. "Na próxima sexta-feira, faremos uma audiência".

O hospital emitiu nota negando o erro.

"O hospital até o momento não encontrou qualquer falha nos procedimentos adotados, pois as crianças saíram corretamente identificadas constando o nome da mãe, data, horário do nascimento e sexo, as mães estiveram alojadas no mesmo ambiente após o parto em conjunto com seus RN’s até a alta hospitalar", diz trecho da nota.

Leia íntegra da nota:

"O HRAFAS disponibiliza para suas pacientes parto cesariana e vaginal. Com equipe especializada e ambiente apropriado para oferecer conforto às gestantes. Temos uma sala de parto, 5 leitos de pré-parto e um alojamento conjunto com 6 leitos.

Todo recém-nascido (RN) é recepcionado pelo enfermeiro, e identificado conforme o Protocolo da instituição, que consiste em: Na recepção da gestante em trabalho de parto identifica a mãe com pulseira, e imediatamente após o nascimento coloca a pulseira no RN com o nome da mãe, data do nascimento, hora e sexo; em seguida apresenta o RN à mãe e acompanhante, mostrando a pulseira identificada no RN com seu nome, encaminhando em seguida ao alojamento conjunto, se as condições clínicas da mãe e do RN permitirem. No alojamento conjunto, o RN é colocado em berço de acrílico, identificado com a sigla “RN” seguida do nome da mãe, ao lado do leito materno.

Segundo relato da equipe de enfermagem havia 2 mães em trabalho de parto naquele instante. A mãe Franciele Monteiro Garcia, teve o RN na sala de parto às 20h46, nasceu hipoativo, foi recepcionado, colocado em berço aquecido, e em oxigenioterapia. A puérpera após o parto apresentou hemorragia e foi encaminhada ao centro cirúrgico para controle. Em seguida a enfermeira foi chamada no quarto ao lado onde se encontrava outra gestante, já em trabalho de parto que aconteceu ali mesmo no quarto. O RN foi levado à sala para os cuidados e, em seguida, entregue à mãe em alojamento conjunto, porém o RN de Francielle continuou em oxigenioterapia, no berço aquecido na sala de parto. Procedimento normal para esses casos.

A acompanhante relatou que esteve todo o tempo acompanhando o processo, desde o parto até o outro dia. E que não consegue imaginar como isto foi acontecer, pois permaneceu acompanhando e cuidando do RN desde o seu nascimento. Essa informação foi obtida quando a Enfermeira chefe do hospital foi comunicada na Unidade de Coleta e Transfusão de Sangue (UCT), quando foi solicitada por uma funcionária que informou sobre a suspeita da troca e mostrou o resultado do exame de DNA, até esse momento não havia ocorrido quaisquer informações sobre este fato formalmente ao hospital.

O hospital até o momento não encontrou qualquer falha nos procedimentos adotados, pois as crianças saíram corretamente identificadas constando o nome da mãe, data, horário do nascimento e sexo, as mães estiveram alojadas no mesmo ambiente após o parto em conjunto com seus RN’s até a alta hospitalar. 

José Marcos Santos da Silva

Diretor Geral do Hospital Regional de Alta Floresta Albert Sabin"

Fonte: Gazeta Digital

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