Rio Teles Pires: nosso legado das águas no Portal da Amazônia

Foto por: Reprodução/Facebook

25/08/2020 às 14:04

Autor: Angela Fogaça

Você conhece o rio Teles Pires? Sabia que ele é considerado o habitat do maior número de peixes esportivos do mundo?

Sim, é neste recanto ao norte do Mato Grosso que começa a Amazônia brasileira, a maior floresta tropical contínua do planeta.

“Rio rápido, tormentoso da nascente à foz, com muitas corredeiras, saltos e cachoeiras de portes diversos, entremeadas por estirões de águas rápidas, morros, pedreiras, lagos e margeado pelo pouco do que que resta de matas e cerrados, o Teles Pires, ao longo dos milhões de anos de sua existência, compôs um cenário paradisíaco que encantou não apenas aos pescadores e outros amantes do ambiente selvagem, mas também a garimpeiros, pecuaristas, agricultores e, recentemente, a produtores de energia hidrelétrica”, descreveu com maestria o blog Pesca & Prosa.

O rio Teles Pires forma um dos mais belos conjuntos de biodiversidade do planeta se manifesta da copa à raiz das centenárias árvores, muitas dessas com mais de 50 metros de altura e troncos tão grossos que às vezes é necessário juntar mais de dez pessoas para abraçar.

O Teles Pires, junto com o Juruena, forma o Tapajós, importante afluente do rio Amazonas. Suas águas, no período das secas, são cristalinas e de rara beleza. Já no período da vazante tornam-se escuras e altas.

O rio Teles Pires é um curso de água que banha os estados de Mato Grosso e Pará, sendo seu divisor natural.

Pesquisas demonstram que sua nascente fica localizada no município de Primavera do Leste (embora outras nascentes também sejam consideradas), tendo uma extensão de 1457 km até o encontro com o rio Juruena, em Barra de São Manoel. Atravessa os biomas do Cerrado e da Floresta Amazônica.

Sua bacia de drenagem possui aproximadamente 141.483 km². São seus afluentes pela margem direita os rios: Caiapó, Tabatinga, Parado, Peixoto de Azevedo e Cururu-Açú; e pela margem esquerda os rios: Verde, Paranaíba, Apiacás e Santa Rosa.

Em seu curso, está sendo construído o Complexo Hidrelétrico Teles Pires, formado por 6 usinas: UHE São Manoel (700 MW), UHE Teles Pires (1820 MW), Usina Hidrelétrica de Colíder (300 MW), UHE Sinop (401 MW), UHE Magessi (53 MW, planejada) e UHE Foz do Apiacás, no rio Apiacás, seu principal afluente (275 MW, planejada).

Em suas águas existem diversas espécies de peixes: jaús, pintados, matrinxãs, piraíbas e pirararas, sendo um rio muito procurado pela pesca esportiva. Nele também ficava localizada a Cachoeira 7 Quedas (inundada pela construção da UHE Teles Pires), próximo à cidade de Alta Floresta, e que era um local sagrado para os índios mundukurus.

Os principais municípios drenados pelo rio Teles Pires e seus afluentes são Sinop, Colíder, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Itaúba, Alta Floresta, Matupá, Carlinda e Paranaíta, em Mato Grosso, atravessando um dos principais polos produtores de soja do mundo, além do município de Jacareacanga, no Pará.

O rio Teles Pires tem sido afetado pela degradação ambiental, sendo ameaçado por desmatamento, processos erosivos, assoreamento e contaminação das águas por agrotóxicos e fertilizantes, provocados pela atividade agrícola e pelo garimpo, além da construção de hidrelétricas.

Bravíssimo e indomável rio Teles Pires, torcemos para que sobreviva por mais dezenas de anos, mesmo com as intervenções do homem. 

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