Barbudo: "Se o povo desconfiar que há roubo, eu temo um motim”

Política

26/09/2022 às 09:06

O deputado federal Nelson Barbudo (PL), que concorre à reeleição, disse temer um "motim" caso haja suspeitas de fraude na apuração das eleições, que ocorre no próximo dia 2 de outubro.

Barbudo disse que a Justiça Eleitoral precisará atestar transparência no resultado das urnas aos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição.

Apesar da polêmica acerca da seguridade das urnas eletrônicas, a Justiça Eleitoral já afirmou que utiliza o que há de mais moderno para garantir a integridade das urnas.

"Então, se o Lula ganhar… eles têm que provar a lisura nas urnas. Porque se houver alguma desconfiança, não sou eu que estou falando e incitando, não, [mas] se o povo desconfiar que há roubo, eu temo por um motim", disse ele em entrevista ao MidiaNews.

O parlamentar, entretanto, disse não haver possibilidade de um golpe militar caso Bolsonaro perca, mas sim uma cobrança da própria população.  

Na entrevista Barbudo também tratou sobre os quatro anos de mandato no Congresso Nacional, criticou o ex-presidente da Câmara, o deputado federal pelo Rio de Janeiro Rodrigo Maia (PSDB) e defendeu a reeleição do governador Mauro Mendes (União).

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews - Até o momento, o senhor recebeu do PL, por meio do fundão, R$ 2 milhões. Espera receber mais do partid

 
 
 
Nelson Barbudo - Não. Eu acho que pelo que o partido tem falado, já distribuiu entre os outros e deve estar no teto. Eu posso receber R$ 3 milhões, se não me engano, como deputado, mas acho que essa quantia deve fechar por aí mesmo.

 

MidiaNews - Qual a sua opinião sobre o fundo eleitoral?

 

Nelson Barbudo - Eu defendo fundo para todo mundo. A partir do momento que a Câmara não vota o término do fundo, tenho que pegar também, se não, como é que vou competir com meus opositores? Ou senão, eu largo, então. Eu votei contra o aumento do fundo. “Ah, mas você é hipócrita, você votou contra e pegou o dinheiro”. Sim! Votei contra, porque eu quero o término do fundo, cada um tem que se virar com o que tem. 

A partir do momento que eu entrei na disputa, quero concorrer com igualdade, se eles pegaram, eu peguei também

Agora, nós fomos voto vencido. Eu vou deixar, por exemplo, o José Medeiros, a Coronel Fernanda, o Abílio, todo mundo pegar e eu para ficar dando uma de santinho, não pego. Então, é melhor não ter entrado, não concorrer. A partir do momento que eu entrei na disputa, quero concorrer com igualdade, se eles pegaram, eu peguei também.

 

MidiaNews - Hoje, o PL tem dois deputados na Câmara. Acredita que a sigla pode aumentar a bancada?

 

Nelson Barbudo - Provavelmente. Nossa chapa tem potencial, tem a Coronel Fernanda, Abílio que tem muito voto aqui na Capital, o José Medeiros e eu. Hoje, numa análise simplória, o PL faz dois deputados federais, mas temos chance de fazer o terceiro. As pesquisas indicam José Medeiros e Nelson Barbudo. Isso não quer dizer nada, porque a pesquisa, quando é para proporcional, não diz muito a realidade, porque é muito pulverizada no estado. 

 

MidiaNews - Entre as candidatas mulheres, quem teria mais chance?

 

Nelson Barbudo - O apadrinhamento da Amália Barros pela Michele Bolsonaro pode se reverter como foi a minha eleição da vez passada. A gente não sabe se Amália tem 30 mil votos ou 120, como eu. A Coronel Fernanda vem de um recall muito forte, ela teve muitos votos ao Senado. Só espero que elas não tenham mais voto que eu, se não aí eu fico de fora, mas potencial elas têm sim.

 

MidiaNews - O senhor está há quase quatro anos em Brasília. Qual avaliação faz do Congresso Nacional? Acredita que é um poder de fato independente?

 

Nelson Barbudo - Sim. É um poder independente, como é o Executivo e como é o Judiciário. A avaliação que faço é que entregamos pouco para a sociedade, em função, por exemplo, de dois anos a gente ter um presidente da Câmara trabalhando contra o país. O Rodrigo Maia foi um crápula, foi um empecilho, foi um homem que, para se manter no poder, fez de tudo para prejudicar o Bolsonaro, mas ele não estava prejudicando o Bolsonaro, estava prejudicando o Brasil. 

 

"O apadrinhamento da Amália Barros pela Michele Bolsonaro pode se reverter como foi a minha eleição da vez passada"

Nós temos uma MP, por exemplo, 490, que fala em regularização fundiária, a não ampliação das reservas indígenas. Tudo poderia ter sido votado e ele engessou. Nós trabalhamos com afinco, mas  tivemos dois anos de travamento e entregamos a reforma da Previdência, por exemplo, que foi uma vitória. Agora, as outras vitórias, por exemplo, a derrubada do ICMS... Se o Rodrigo Maia estivesse lá, ele não teria autorizado o projeto chegar na Câmara. Então, o combustível não teria abaixado como abaixou. Portanto, acho que nós trabalhamos muito, mas precisamos trabalhar mais para entregar mais para a sociedade além do que entregamos.

 

MidiaNews - Na eleição passada, o senhor foi o federal mais votado com 126 mil votos. Acha que vai conseguir repetir esse feito?

 

Nelson Barbudo - Estou trabalhando para isso. Com todo respeito aos meus oponentes. Estou trabalhando para isso. Trabalho diuturnamente, entreguei muito serviço para a sociedade mato-grossense, fui eleito três anos consecutivos pela mídia, pelos institutos especializados, o melhor parlamentar do Estado. Fui eleito o segundo homem no Brasil que mais trabalhou para o agro. Esse título ninguém me tira e eles sabem que o meu trabalho foi correto. Me mantive limpo, respeitando a pátria, a família e o cristianismo. 

 

MidiaNews - As pesquisas mostram que o governador Mauro Mendes será eleito no primeiro turno. Com base no que o senhor tem visto em suas caminhadas pelo interior, é esse cenário mesmo que está posto?

 

Nelson Barbudo - O Mauro tem trabalhado. Ele aplicou bilhões em infraestrutura nos municípios e por isso, onde o acompanhei, onde a gente vai, ele é ovacionado pelos prefeitos. É claro que tem quem não goste do Mauro, como tem quem não goste do Nelson Barbudo. 

 

É por isso que falo com confiança, porque quando se tem um propósito na vida, acho que a gente deve trabalhar com fé, com foco e com confiança, e o Mauro fez isso muito bem. E é por isso que eu apoio o governador Mauro Mendes. Porque acompanhei e sei em cada município o quanto ele investiu. Mauro será eleito no primeiro turno.

 

MidiaNews - E como o senhor vê os problemas dele com os servidores?

Nelson Barbudo - São pontuais. É claro que a PM estadual quer um aumento de 30% a 40% e o Mauro tem aquele jeito dele mesmo. Eu conversei com o governador e ele falou: "Deputado, eu precisei ajeitar o Estado”. Ele é sensível ao aumento do salário dos servidores. Acontece que, para pagar, você precisa ter dinheiro em caixa. O que o Pedro Taques fez? Prometeu aumento para todo mundo, saiu fazendo gracinha para todo mundo, chegou do meio do mandato para frente, estourou o caixa dele.

 

O que você prefere, cair R$ 8 mil na tua conta, rigorosamente, ou a promessa de R$ 15 mil e tem mês que você recebe, outro mês recebe 50%? O Mauro não trabalha dessa maneira. Conversei com o Mauro e o ano que vem, a RGA [Revisão Geral Anual] vai ser paga. Mauro Mendes pode ter tudo quanto é defeito, mas é um homem de palavra.

 

MidiaNews - O senhor tem uma relação amistosa com o prefeito Emanuel. Acha que ele pode ter errado ao lançar a esposa, Marcia Pinheiro, como candidata?

 

Nelson Barbudo - Eu tenho amizade com o prefeito. Não sou íntimo dele, mas conheço institucionalmente, me trata muito bem. Com o filho dele, Emanuelzinho, da mesma forma, fiz muitas reuniões. Menino educado, menino bom, me respeita, serve para ser meu neto, praticamente. Agora, eu não concordo com essas atitudes de fazer política só pelo poder. Se fosse no meu caso, não colocaria, porque é visto que ele está querendo recall. Porque ela não tem gabarito para enfrentar a máquina do Governo, acho que o Emanuel, para não deixar o Mauro ganhar de W.O, colocou a esposa. 

 

É um direito que ela tem, é um direito dele, mas no meu modo de avaliar politicamente, foi um tiro no pé. Pode ser que ela colha lá na frente, em outras candidaturas com esse recall, mas se fosse eu, não faria isso. Preservaria minha esposa em casa, bem tranquila, porque acho que política tem momento e agora não era o momento da Marcia, na minha avaliação.

  

MidiaNews - O senador Wellington tem dito que Mato Grosso dará ao presidente Jair Bolsonaro sua maior votação proporcional em todo o Brasil. Também tem essa expectativa?

"O Mauro tem trabalhado. Ele aplicou bilhões em infraestrutura nos municípios"

Nelson Barbudo - Com certeza. Não é o senador Wellington… Nós. Ele é uma parte do processo, porque bolsonaristas como eu, José Medeiros... Nós estamos trabalhando para isso e o Wellington se juntou com a gente, que já carregava essa bandeira, em função do Bolsonaro ter vindo para o PL. E ele está pedindo voto realmente para o presidente Bolsonaro.

 

MidiaNews - Qual será a porcentagem de Bolsonaro em Mato Grosso?

 

Nelson Barbudo - Será de 63%, eu penso.

 

MidiaNews - As pesquisas de intenção de voto como Datafolha e Ipec indicam que o ex-presidente Lula tem cerca de 10 pontos a mais que Bolsonaro. Estes números o preocupam?

 

Nelson Barbudo - Na última eleição, até na sexta-feira antes da eleição, o Bolsonaro perdia para todo mundo no segundo turno, até para Marina Silva. Abriu a urna, o Bolsonaro ganhou. Então, a pesquisa na minha opinião não está refletindo a verdade.

 

E pesquisa é amostra, é previsão. Igual previsão do tempo, prevê que vai chover, às vezes chove, às vezes não chove. Os institutos estão prevendo Lula, mas vai dar Bolsonaro, tenho certeza.

 

MidiaNews - Vamos supor que os institutos estejam certos e que Lula vença a eleição. Acha que o presidente Bolsonaro aceitaria este resultado? 

 

Nelson Barbudo - Claro. Não só aceitaria, como tem que passar a faixa. Não só tem que aceitar, como tem que passar a faixa. Se o povo escolheu, o presidente tem que obedecer, nós vivemos numa democracia. Quem não gosta de democracia é o Lula, que vive abraçado com Hugo Chávez, Maduro e com os ditadores da América. 

 

Agora, nós não. Só que tenho certeza que isso não vai acontecer. O povo brasileiro sabe, a internet leva informação e eu tenho certeza que ganharemos a eleição e o nove dedos vai ficar arrasado e acabado para o resto da vida dele.

 

MidiaNews - Há risco de golpe? Não teme que haja violência?

 

Nelson Barbudo - Não. Não tem, porque o Exército Brasileiro vai fazer valer a Constituição. Porque se fosse para quebrar e romper a barreira, ele já teria quebrado quando o Supremo agiu fora das quatro linhas. O Bolsonaro não deixou, o Exército não entra nessa. Então, se o Lula ganhar… agora, eles têm que provar a lisura nas urnas. Porque se houver alguma desconfiança, não sou eu que estou falando e incitando, não. 

 

Se o povo desconfiar que há roubo, eu temo por um motim. Porque pode acontecer, mas veja bem, não vai acontecer, porque o Exército está fiscalizando. As eleições vão acontecer de maneira tranquila e quem ganhar vai pegar a faixa. No nosso caso, vai continuar a faixa.

 

MidiaNews - Acredita nas urnas eletrônicas? 

 

Nelson Barbudo - Eu acredito, mas gostaria que ela pudesse ter o comprovante. Eu tenho medo de hacker, não estou acusando a urna, estou acusando os homens. A urna, se ninguém mexer nela, é segura. Quando você deposita um dinheiro no banco, não tem um comprovante? Por que quando você deposita seu voto, não pode deixar o comprovante dentro de uma urna? 

 

Eu fico pensando por que, se cada item de segurança dá mais lisura ao processo, por que o STF não admite essa conferência? 

 

 

MidiaNews - Há duas semanas, um trabalhador rural matou outro devido a discussão política. Não é preocupante esse cenário de violência no país?

 

Nelson Barbudo - É muito pequeno. Em um universo de 40 mil assassinatos em um ano, temos notícia de dois. Isso é caso isolado. A gente lamenta profundamente. A pessoa que chega a tirar a vida de outro por causa de política, está perturbada ou com efeito de álcool.

 

MidiaNews - O que o brasileiro pode esperar se o futuro presidente for Lula?

 

Nelson Barbudo - Tragédia, roubo, fome, miséria, quebra da produção das commodities, porque ele declarou que o agro é facista. Tragédia na família, um presidente que quer liberar o aborto descaradamente. A destruição da classe média... Enfim, o Brasil estará fadado ao fracasso. Nós temos um exemplo claro aqui do nosso lado, a Argentina. Dois anos e meio de governo socialista e vimos a destruição da pecuária, da lavoura e do sistema produtivo. Portanto, se o Lula ganhar, é um desastre para o Brasil.

 

Só um recadinho: ele não fica, não governa. Porque ele está do lado dos leões, Alckmin e companhia. E na minha visão sabe o que vai acontecer? O Lula não passa de um ano no poder. Eles derrubam o Lula. porque só o Lula não percebeu que o Alckmin está lá para dar um balão nele no caso dele ganhar.

 

MidiaNews - Se eleito, crê que o Congresso será resistente às pautas petistas?

 

Nelson Barbudo - Com certeza. Porque as pautas dele serão todas que diferem da minha ideologia. Nós precisamos juntar os deputados com ideologias como a minha, conservadora, porque vai entrar um projeto por dia, tentando, por exemplo, barrar a exportação para a China da carne. O cachaceiro vai tentar fazer assim: “olha, o Brasil está exportando, por isso a carne está cara. Eu decreto que não pode mais exportar carne”. Sabe o que acontece? Claro que a produção de boi no Brasil só para o mercado interno, ela vai abastecer e a carne vai despencar. 

 

Só que o que vai acontecer? A carne despencando, o produtor para de produzir, em dois anos acontece o que aconteceu na Argentina, não tem mais carne na gôndola. 

 

MidiaNews - O candidato ao Senado do PTB, Antônio Galvan, defendeu a flexibilização das leis trabalhistas, e até uma carga horária de até 15h. O senhor concorda? 

 

Nelson Barbudo -  Eu acho o seguinte: lei trabalhista não deveria existir, igual nos Estados Unidos, deveria ser por hora. Combina o patrão e o empregado, quem trabalha mais recebe mais, quem trabalha menos recebe menos. CLT não funciona, nunca funcionou, a lei trabalhista acabou com o sistema de emprego, porque o empregado ficava quatro meses numa empresa, levava o patrão e pegava R$ 100 mil do cara. Então, eu acho o seguinte: deve ser liberalismo. 

 

MidiaNews - O senhor defende uma Reforma Trabalhista?

 

Nelson Barbudo -  Já foi bem mexida a questão do trabalho,mas acho que precisamos fazer uma reforma trabalhista com a sociedade civil organizada e ouvir o que o cidadão quer, porque muita gente quer esse sistema e muita gente não quer esse sistema. Então, a gente precisa ser sensato, ouvir a sociedade para a gente chegar numa reforma e não prejudicar a maioria. O que a maioria decidisse a gente votaria.

 

MidiaNews - A chapa do presidente Lula tem tentado se aproximar do agronegócio e para isso colocou o senador Carlos Fávaro como coordenador de campanha. Acredita que essa estratégia convenceu o setor?

 

Nelson Barbudo - Como é que pode convencer o eleitor, se o cachaceiro chama o produtor de facista? Vai mentir na égua, vai ser crápula lá longe. O cara coloca um senador, no maior estado produtor, para fazer campanha para ele, para se aproximar do agro, e 30 dias depois fala que precisa acabar com o agro, porque o agro é facista. Não, Lulinha. Se quiser voto do agro, mude seu pensamento. Vai fazer um curso. Esqueça o Marx, Lênin, Fidel Castro, porque temos uma economia pujante, liberal, capitalista e nós queremos produzir longe da sua bandeira vermelha. 

 

Não cola, tanto é que você vai ver que nós vamos ter maioria arrasadora dos votos, porque nós não engolimos. Nós sabemos a pauta. Ele declarou que o MST vai ter vez no governo dele. Como é que ele quer que o agro de Mato Grosso o apoie para ele colocar ônibus de invasores, criminosos. Porque quem invade propriedade é criminoso. Então, não cola, e o Fávaro que me desculpe, mas que burrada que o Fávaro fez. Que invertida ele deu em quem votou nele. O povo do agro está chateado com o Fávaro.

 

Se [a crítica] for direcionado como um todo [ao agro], piorou. Porque abrangeu o pequeno produtor, abrangeu a indústria que produz máquinas para que o agro rode, as fábricas de plantadeira, colheitadeira, pneu, de insumos. Não cola! Ele não gosta de produção de grande escala, e hoje tem que ter o grande, o médio e o pequeno no Brasil. Nós temos espaço para todos. Quantos micros fazendeiros nós temos? Faz um levantamento, são milhões. 

 

Fonte: Midia News


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